sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

envidia

Só de pensar...
Não. Permitam-me uma correção.
Pensar pode trazer equivocadamente a idéia de razão a um ato puramente emocional.
Só de imaginar...
Meus poros se abrem todos ao mesmo tempo. Eu fico epidermicamente vulnerável e sucumbo ao suor.
Apodera-se de mim um desconforto angustiante e começam os gritos. Ninguém pode ouvi-los, mas eles me são assustadoramente perturbadores.
Só de imaginar...
As minhas sobrancelhas são atraídas magneticamente pelo nariz, que por sua vez é fortemente atraído pela boca.
Meu rosto inteiro quer ser infinitesimal. Talvez para traduzir meu estado de espírito.
Uma mistura de tristeza, raiva e inveja. Ou talvez seja puramente inveja.
Só de imaginar...
A dolorosa contração facial é substituída pela raiva inconsequente.
Raiva de mim, de ti, de nós, dessa cidade, desse país, da humanidade, do existir.
É inevitavelmente pelo existir que tudo isso se passa.
A raiva me esquenta o corpo e a alma. Sinto a inquietante oscilação dos átomos.
O aumento da temperatura me traz uma vermelhidão cintilante.
Não. A temperatura não tem nada com isso.
A minha “tomatezação” é moral. Sinto-me envergonhado.
Como sou repugnantemente egoísta!
Tentando esconder a minha insignificância, cubro-me com um sorriso imbecil.
E do turbilhão de sensações inebriantes, surge calma e pacientemente, acompanhada de uns pedaços de esperança medíocres, a frase: “ai como eu queria...”

Um comentário:

Unknown disse...

Meu comentário...


é não comentar, velho! *_*